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Cashback na loja online: crédito para a segunda compra em vez de desconto na primeira

No ticket alto, o desconto na primeira encomenda sai da margem no próprio dia. Um cashback em crédito na loja, com regras, só custa quando paga uma segunda compra.

11 min de leitura
Cashback na loja online: crédito para a segunda compra em vez de desconto na primeira

Cashback na loja online: crédito para a segunda compra em vez de desconto na primeira

Quem compra na tua loja um produto caro paga a encomenda, recebe-a e pode não voltar a ter motivo para lá entrar.

Para o trazer de volta, a tentação é dar-lhe um desconto logo na primeira compra. Num ticket alto, esse desconto sai da margem no próprio dia, e sai também de quem compraria pelo preço cheio. O cashback na loja online, dado como crédito para gastar numa segunda encomenda, com valor fixo, validade, mínimo de compra e produtos escolhidos por ti, faz a conta ao contrário. Só custa quando o cliente volta. E só funciona se a margem da segunda compra aguentar o crédito.

Porque é que o desconto na primeira compra custa mais no ticket alto?

Porque é uma percentagem sobre o preço mais alto que o cliente te vai pagar.

Num produto caro, cada ponto percentual de desconto vale muitos euros. E esses euros saem de todas as primeiras encomendas: da pessoa que precisava do empurrão e da pessoa que já tinha decidido comprar. Tu não sabes qual é qual, por isso pagas às duas.

Há ainda o que vem a seguir. Quem comprou um equipamento caro pode não precisar de outro igual durante muito tempo. Se houver segunda compra, pode bem ser de outra coisa: um acessório, uma peça de substituição, um consumível, uma manutenção. O desconto da primeira encomenda não diz nada sobre essa compra. Fica gasto num produto que aquele cliente pode não voltar a comprar.

O que é que o ROAS da campanha não te mostra?

Nem a margem que o desconto levou, nem a segunda compra que o crédito trouxe.

Para o painel de anúncios, uma venda com desconto e uma venda sem desconto contam como uma conversão cada, e o painel não sabe quanto custou o produto nem quanto ficou na mesa. Uma campanha pode mostrar um retorno estável enquanto a margem de cada encomenda encolhe. É a mesma razão pela qual o ROAS do painel não fecha as contas da loja.

Do outro lado, a segunda encomenda paga com crédito pode chegar sem anúncio nenhum pelo meio. O cliente recebe um email a lembrar o saldo, ou pesquisa o nome da loja no Google e entra pelo resultado orgânico, e compra. Se não houve interação com o anúncio dentro da janela de atribuição, a campanha que trouxe a primeira venda pode não ficar com esta. É a parte do valor do cliente que fica fora do painel, como mostra o artigo sobre LTV e recompra, e é por isso que, tal como acontece com o voucher enviado a clientes inativos, o resultado do cashback se lê nos dados da loja e não no painel.

Facto: numa loja online de ticket alto, um desconto direto na primeira encomenda e um cashback dado como crédito na loja mexem na margem em momentos diferentes. O desconto baixa o preço de todas as primeiras compras, incluindo as de quem compraria pelo preço cheio, e esse custo sai da margem no dia da venda. O crédito só custa quando é usado, e é usado numa segunda encomenda que traz a sua própria margem. Quando o crédito tem um valor fixo, uma data de validade, um mínimo de compra e uma lista de produtos onde pode ser gasto, o custo máximo fica conhecido antes de ser emitido e cai em produtos que a loja escolheu vender outra vez. O mecanismo falha em dois casos: quando a margem desses produtos não cobre o crédito, e quando o crédito expira sem uso, porque aí não houve segunda compra. Como essa segunda encomenda pode chegar sem interação com o anúncio, o retorno da campanha não a mostra.

Opinião: dar desconto na primeira compra de um produto caro é pagar a fidelização a quem ainda não provou que volta. O crédito inverte a ordem. Primeiro o cliente volta, depois pagas. Se ninguém volta, também ficas a saber isso, e mais barato.

Cashback ou desconto: quando é que o desconto continua a fazer sentido?

Quando o problema é fechar a primeira venda, e não trazer a segunda.

Se quem chega à tua página de produto está a comparar o mesmo artigo em várias lojas e decide pelo preço final, um crédito para daqui a umas semanas não muda essa decisão. Aí o desconto, ou um preço mais baixo, pode ser a alavanca certa, e o cashback não a substitui.

O cashback trabalha noutro sítio. Serve para o cliente que já comprou ter uma razão concreta para voltar à tua loja, e não a outra, quando precisar do acessório ou da reposição. Se não há nada no teu catálogo de que esse cliente vá precisar depois, o crédito não tem onde ser gasto. Antes de escolheres, olha para o histórico de quem comprou os teus produtos mais caros e vê o que essas pessoas compraram a seguir, se compraram.

Também não é a mesma coisa que um programa de pontos. Pontos que se acumulam devagar e que o cliente não chega a trocar não lhe dão uma razão para voltar. O crédito de que este artigo fala é um valor concreto, dado depois de uma compra concreta, com uma data para ser usado.

Como montas o crédito na loja sem perder margem?

Começas pela margem da segunda compra, não pelo valor do crédito.

Escolhe os produtos onde o crédito pode ser gasto. Devem ser aqueles de que o cliente do produto caro precisa a seguir, que tens em stock ou consegues repor, e que têm margem para absorver o crédito. Faz a conta produto a produto: a margem em euros da encomenda mínima que vais exigir tem de ficar acima do valor do crédito. Se não fica, ou baixas o crédito, ou sobes o mínimo, ou tiras esse produto da lista.

Usa um valor fixo em euros, e não uma percentagem. Um valor fixo diz-te o custo máximo de cada crédito antes de o emitires.

Na Shopify, há duas formas de o fazer. O crédito na loja da Shopify é emitido para a conta do cliente, aparece no checkout como forma de pagamento e pode ter data de validade, que defines em cada emissão. Mas, segundo a mesma ajuda, só pode ser usado quando o cliente entra pelas novas contas de cliente ou usa o Shop Pay, e a página não descreve um mínimo de compra nem uma lista de produtos para esse crédito. Se precisas dessas regras, um código de desconto de valor fixo faz o mesmo papel. A ajuda da Shopify sobre descontos de valor fixo ou percentagem mostra que o código pode valer só para produtos ou coleções escolhidos, exigir um valor mínimo de compra, ficar limitado a clientes ou segmentos de clientes, ter uma utilização por cliente e ter data de fim.

No WooCommerce, o caminho é o cupão. A documentação da WooCommerce sobre cupões inclui o desconto fixo no carrinho, a data de validade, o gasto mínimo, os produtos e categorias onde o cupão vale, os emails autorizados, verificados contra o email de faturação, e o limite de utilizações por cliente. A mesma página diz que o WooCommerce base não aplica os códigos sozinho: o cliente escreve o código no carrinho ou no checkout. Para o enviar por email de forma automática depois da compra, precisas de uma extensão ou da tua ferramenta de email.

Dá uma validade que caiba no tempo em que o cliente costuma precisar da reposição. Se não sabes esse tempo, o histórico de encomendas diz-te. A Shopify recomenda verificar a lei local antes de pôr datas de validade no crédito na loja. Pede a quem te acompanha na parte legal que confirme as regras para o teu caso.

Diz ao cliente o que recebeu na página de obrigado e no email de confirmação, com o valor, a data-limite e onde o pode gastar. Um crédito de que o cliente não se lembra pode expirar sem uso.

Como sabes se o cashback está a trazer a segunda encomenda?

Medes nos dados da loja e separas o crédito da receita.

Conta quantos créditos emitiste e quantos foram usados antes de expirar. Se quase nenhum é usado, o problema está no valor, na validade, nos produtos escolhidos ou na forma como o cliente fica a saber do crédito.

Nas encomendas que usaram o crédito, vê o valor, a margem depois do crédito e o tempo que passou desde a primeira compra. Na Shopify, o crédito na loja aparece como forma de pagamento nos relatórios de pagamentos, e há relatórios próprios de transações e de saldo pendente de crédito na loja. Esse crédito foi dado por ti sem receberes nada em troca, por isso a parte da encomenda paga com ele não é dinheiro novo a entrar. Tira-a quando fizeres a conta da segunda compra. Se usaste um código de desconto, filtra as encomendas por esse código.

Compara com o que acontecia antes. Pega nos clientes que compraram os mesmos produtos caros num período anterior, sem crédito, e vê quantos fizeram uma segunda encomenda no mesmo intervalo de tempo. A comparação não isola o crédito de tudo o resto, porque o calendário e os anúncios desses meses também foram outros. Ainda assim, se a segunda compra aparece mais vezes e a margem dela cobre o crédito, tens a resposta que o painel de anúncios não te dá.

Olha ainda para o saldo de crédito por usar. É um custo que pode vir a acontecer, e tens de o ter em conta quando fazes as contas do mês.

O que fazes antes de lançar o crédito?

Primeiro, exporta as encomendas dos teus produtos mais caros e vê o que esses clientes compraram a seguir, e quanto tempo depois.

Segundo, escolhe os produtos onde o crédito pode ser gasto e faz a conta da margem da encomenda mínima contra o valor do crédito.

Terceiro, decide o valor fixo, a validade e o mínimo de compra, e valida as regras da data-limite com quem te acompanha na parte legal.

Quarto, cria o crédito ou o código na tua plataforma, faz uma compra de teste com um carrinho que cumpre as regras e outra com um que não cumpre, e confirma que o segundo é recusado.

Quinto, escreve o crédito na página de obrigado e no email de confirmação, e marca o dia em que começaste para comparares a segunda compra nas semanas seguintes.

FAQ

Cashback ou desconto: qual é melhor para uma loja online?

Depende do que queres resolver. O desconto pode ajudar a fechar a primeira venda de quem decide pelo preço. O cashback em crédito na loja serve para trazer a segunda compra e só custa quando o cliente volta. Num produto caro com acessórios ou reposições, o crédito pode proteger mais a margem, desde que a margem da segunda encomenda o cubra.

Como fazer cashback na Shopify?

Se queres mínimo de compra e uma lista de produtos, usa um código de desconto de valor fixo com essas regras. Se só queres um saldo com validade na conta do cliente, usa o crédito na loja, que exige as novas contas de cliente ou o Shop Pay. O crédito na loja é emitido para a conta do cliente, aparece no checkout como forma de pagamento e pode ter validade.

Como fazer cashback no WooCommerce?

Com um cupão de desconto fixo no carrinho, com data de validade, gasto mínimo, produtos ou categorias permitidos, email autorizado e limite de uma utilização por cliente. O cliente escreve o código no carrinho ou no checkout, e o envio automático depois da compra precisa de uma extensão ou da tua ferramenta de email.

O cashback aparece no ROAS das campanhas?

Só se a plataforma de anúncios atribuir a segunda encomenda ao anúncio, dentro da janela de atribuição dela. Se o cliente volta pelo email ou por um resultado orgânico da pesquisa pela marca, a campanha não fica com essa venda. O resultado do cashback lê-se nos dados da loja.

Que validade devo dar ao crédito na loja?

A que cabe no tempo em que o teu cliente costuma precisar do acessório ou da reposição, que vês no histórico de encomendas. Antes de pores datas de validade, pede a quem te acompanha na parte legal que veja a lei aplicável ao teu caso.

Tens a margem da segunda compra calculada produto a produto? Leva essa conta à comunidade da Aero Agency, ao lado do desconto que dás hoje na primeira encomenda.

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